Depois do documentário da Sic “Autocarro 174″ compreendo que muitos de vós até possam estar a pensar mal de muita gente, possam sentir ódio de todos estes criminosos que assolam a nossa sociedade e que andam por aí espalhados por esses cantos a assolar pânico por todo o lado.
Mas deixem-me dizer que depois da notícia “Jovens das favelas brasileiras criam nova criminalidade nos arredores de Lisboa” eu para a semana abro uma companhia de traficantes de droga ao lado do posto da GNR, com eles a darem-me segurança o negócio ficará mais rentável, uma vez que assim a PSP não se vem meter.
Chateio-me quando notícias e documentários destes vêm à baila, porque só servem para uma coisa, enxovalhar quem vive numa favela ou quem não tem pai nem mãe, ou simplesmente não teve bases de educação adequada para agora ter uma vida normal como algumas pessoas ainda conseguem ter.
Irritam-me também bocas destas, destas e comentários destes. Acho que no fundo ao pensarmos assim, a querer culpar e atribuir todos os problemas a classes mais desfavorecidas estamos apenas a olhar para o nosso umbigo. Não dar sequer atenção a quem nunca teve nada. E não adianta vir com a conversa que eles nunca tiveram nada porque nunca se esforçaram, e normalmente diz isto quem nunca teve problemas de vida e não sabe sequer o que é tentar arranjar emprego sem nunca ter estudado porque os pais não podiam ou não queriam.
Eles já provaram que são capazes de tudo, enfrentar polícia chamar atenção dos jornais, televisão tudo e mais alguma coisa. Acho bem começarem a rever a educação e oportunidades que o estado dá para as pessoas, porque senão estarão a criar uma geração de revoltados.
Aqui foi dito que:
Seria importante saber quem os importou e quem lhes fornece o armamento.
Na minha perspectiva discordo totalmente. Seria mais fácil ir logo à raiz do problema. Quem não lhes deu educação? Quem não facilitou oportunidades? Ou está a sociedade justa e igual para todos? Droga e armas compram-se em todo o lado, é mais fácil que meia dúzia de carcaças para comer.
Não vale a pena andarmos para aqui com medos, temos de viver calmos e serenos se algum dia formos mal tratados por essa gente, pensem no porquê eles fazem isto em vez do fim do mundo que eles podem estar a provocar nas nossas vidas. Sem paz não pode haver justiça, portanto aí têm o mundo que criaram, e quem vai pagar sou eu.
Ainda aqui estou a pensar no jovem lá do autocarro que fez de refém aquela gente toda, eu compreendo que os visados não tenham culpa, e que nada justifique os actos dele, mas pensem no desespero, e no que ele passou ao ver a mãe a ser esfaqueada, ver a mãe cair de costas com a faca espetada nas costas. Sinceramente há que pensar mais nos outros. Eu sei que é complicado, quando nós somos os alvos. Mas há gente em maus lençóis por esse mundo fora.
Estamos a chamar brasileiros para o nosso país criminosos? Mas que falta de sorte, até ontem eram jogadores e treinadores de futebol, engraçado desses ninguém se queixa e olhem que eles tiram emprego a muito bom jogador português.

Setembro 20th, 2008 at 10:24 am #- Ponto de Situação - | KØNTRÅSTËS.org
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